GOD SAVE THE BEER.

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Como ser salvo por loiras e monges

TSSSS! Fala pessoal!

É com um copo na mão que iniciamos nossa jornada por este universo tão diverso e borbulhante – ora amargo, às vezes ácido; doce ou mais simples, frutado e sempre apaixonante. Vamos falar de bera, breja, cerveja boa?

Convidado para escrever neste blog, veio a questão fundamental: cara, qual ampola escolher para abrir os serviços? Com a infinidade de ótimos rótulos hoje no mercado, essa questão seria um pouco mais fácil lá atrás, quando dei meu primeiro gole em uma “cerveja especial” – as opções eram realmente limitadas.

Era 2009. Estava sozinho, em um antigo apê de 25 m2 e seria minha primeira vez. Lembro como se fosse agora: mano, isso é cerveja? Era sim, uma Leffe Blonde. Belguinha maravilhosa que continua frequentando minha geladeira – até minha esposa ama essa loirinha. Recordo as notas frutadas, o álcool mais evidente e a cor linda, num quase-laranja vivo. “Qué isso rapá???”. E aconteceu. A partir daquele momento, o paladar tomou um tapa. Vieram IPAs, APAs, Stouts e outras Blondes depois: o estrago estava feito, gole após gole.

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Uma loirinha realmente perigosa.

E agora me vejo, seis anos depois, escolhendo uma cerveja para meu texto. Logo pensei na minha atual fase ácida: nas chamadas “sour ales”, encontrei novos amores. Mas ainda não é hora, chegaremos lá. Que tal então ser surpreendido mais uma vez por uma belga? Feito!

E aí me vem a segunda dúvida: a escola belga é uma das quatro grandes (junto com a alemã, a inglesa e a americana), logo você consegue imaginar a infinidade de estilos, rótulos, sabores e história. Onde apontar o abridor? Escolho o caminho do céu: vamos navegar por uma trapista de corpo e alma.

A escola belga é conhecida pela explosão de aromas e sabores. Dubbel, Tripel, Quadruppel, são estilos que você bebedor já deve ter tropeçado por aí. São cervejas únicas, que geralmente priorizam o malte e deixam o lúpulo em segundo plano, sendo também comum a adição de especiarias e diferentes ingredientes, como coentro, casca de laranja, açúcar, entre outros. Nesse bolo, existe ainda uma divisão entre as cervejas feitas por monges “cistercienses” (trapistas) e as de abadia (geralmente inspiradas nas produções dos monges).

Amém!

Amém!

Minha escolha é uma autêntica belga trapista, produzida na Abadia de Notre-Dame de St. Remy (fundada em 1595), um dos 11 monastérios no mundo que podem ostentar o selo oficial. A Trappistes Rochefort 10 (existem também as versões 6 e 8) é uma Quadruppel (Belgian Dark Strong Ale) com potentes 11,3% ABV. É uma paulada, em todos os sentidos.

Lugares sagrados em Rochefort, Bélgica

Lugares sagrados em Rochefort, Bélgica

Escolho este rótulo também por ele ser comparado (mesmo estilo e características de produção) a uma das mais conhecidas cervejas inseridas na lista de “melhores do mundo”. Pela exclusividade e dificuldade de conseguí-las, a Westvleteren 12 é sonho de diversos bebedores fora da Bélgica. Ainda não tive a oportunidade de apreciá-la, portanto não posso falar muito ou mesmo realizar comparações. Mas me permita um detalhe: por menos de R$ 35,00 você poderá experimentar uma cerveja dos sonhos sem ter que procurar garrafas de R$ 200,00 no “mercado negro” cervejeiro.

A cobiçada garrafa sem rótulo © Belgian Beer Company bvba

A cobiçada garrafa sem rótulo © Belgian Beer Company bvba

Garrafa em mãos, vamos lá. Primeiro, esqueça o mantra “estupidamente gelada” e respeite sua prova: a Rochefort 10 é uma cerveja para ser apreciada entre 12-14°C e é nessa temperatura que ela irá falar mais alto e apresentar todas suas nuances.

Altamente encorpada e complexa, de cara já nos chama atenção a bela cor acobreada, um marrom quase escuro acompanhado de uma espuma densa, bonita de ver. O aroma… ahh, o aroma. Um perfume de ameixa, uva passa… chocolate? Frutado e um pouco alcoólico. E vem o gole. E aí meus caros, podem chamar os cachorros da Ana Maria Braga… é de beber agradecendo.

Deixe a cerveja um pouco em sua boca, vai com calma. Tente identificar o equílibrio entre o torrado e o doce, o toque de frutas secas, de caramelo e vinho do porto. O cacau aparece também, principalmente após a bebida descer pela garganta. O álcool pica a língua, mas não atrapalha a degustação. É cerveja de gente grande, que evolui a cada gole. Uma cerveja para ser respeitada, complexa e saborosa como poucas, uma verdadeira aula líquida.

Ao final, o rótulo já entrega sua nota. É uma cerveja nota 10, em diversos quesitos. Uma experiência completa pra quem deseja dar um passo além no mundo das cervejas incríveis.

SAÚDE! E até o próximo gole 🙂

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One comment on “Como ser salvo por loiras e monges

  1. Adorei, e já quero provar. E aliás, você sabia que eu visitei uma Abadia de monges cistercienses lá na Provence? De mesmo nome? A Notre Dame de Saint-Remy de Provence. Pena que lá só tinha mel de abelha e afins. Show demais! e let’s keep drinking!

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