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Pavê, pacumê ou patumá?

Lá vem a Simone, ano após ano, nos avisando: então é Natal. E chegou o fim do ano, dia da mãe assar o pernil e do seu tio perguntar pela enésima vez se o doce é pavê ou pacumê.

… e o que você fez, hein?

… e o que você fez, hein?

 

Cerveja na ceia? Claro que tem! Talvez você coloque no isopor comunitário umas garrafas verdinhas pra fazer volume e o mesmo tio aproveitará mais uma ótima safra de milho para levar a que desce redondo, daquelas que te deixam igual o peruzão na mesa: inchado.

Apesar do povo matar todas as verdinhas que você trouxe, é possível que alguém inicie um monólogo sobre como a água de Agudos deixa a outra cerveja mais gostosa e leve. Segura peão: ainda falarão sobre impeachment e Cunha, a noite está só começando.

Salvo as famílias que não ingerem nada alcoólico, é provável também que você tropece em uma garrafa de Cidra Cereser ou que seu primo abra o brinde com uma bela garrafa de Espuma de Prata. Pahhh! E tudo fica legal.

Natal e Ano Novo é festa, é família, aproveite! Mas dá pra ir além e invocar o “espírito lupulístico” nesse encontro todo? Claro que dá! Quer uma cerveja que une o melhor do que chamamos de cerveja e ainda traz todo o brilho do final de ano, com estouro e bolinhas subindo pela taça? Aposte nas champenoise. Oi? Leia novamente, te lembra alguma coisa?

Nem só de cevada vive o homem.

Nem só de cevada vive o homem.

Garrafa típica de espumante, rolhas, segunda fermentação, estágio em adegas. Parece champagne, mas não é. Todos nós aqui no blog já falamos de alguns dos inúmeros tipos de cerveja e dentro desse universo também é possível encontrar cervejas produzidas pelo método Champenoise. Ou seja, após a fermentação e maturação tradicional, elas passam por uma segunda fermentação na garrafa, descansando em caves por alguns meses. Esse repouso aumenta a liberação de gás carbônico, aumentando a carbonatação e deixando a cerveja bem diferente.

Uma das cervejas mais conhecidas produzidas por este método tem nome imponente: DeuS (a grafia é assim mesmo). É uma cerveja que combina o estilo tradicional com técnicas de produção de vinhos espumantes. A DeuS é produzida na Bélgica e depois transferida para a França, onde passa por todo o processo que a transforma em uma cerveja única. Dizem que lá fora é uma cerveja acessível, mas aqui no Brasil virou um sonho quase distante pelo seu preço proibitivo.

DeuS

DeuS, vendida na mesma garrafa da célebre Dom Pérignon

 

Também existem cervejas fabricadas no Brasil seguindo o mesmo método. As mais conhecidas pelos cervejeiros durante bom tempo foram a catarinense Eisenbahn Lust (a primeira representante do estilo no país) e a mineira Wäls Brut. Junta-se a elas, desde o ano passado, a curitibana Morada Cia. Etílica com sua Double Vienna Brut, a nossa cerveja de hoje.

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Criada pelo mestre André Junqueira, a cerveja passa por um processo de 18 meses até estar pronta a ser servida. Sua base é a ótima Double Vienna Lager, que também vale a pena a degustação. Dourada, é linda na taça. É bem carbonatada, como um espumante deve ser. O aroma é adocicado, leve. Na boca, doce e amargo trabalham juntos – tem um quê de champanhe realmente, principalmente pelo evidente toque de frutas e pela carbonatação. Álcool quase imperceptível, apesar de ser uma cerveja com 11,5% de teor alcoólico. É para tomar sem pressa, pensando no ano que virá.

A produção da cerveja é tão séria que o pessoal criou inclusive uma taça especial, processo que você pode curtir no vídeo abaixo:

E com essa bela cerveja, meus queridos e queridas, partimos rumo à 2016. Feliz Natal e um baita ano pra todos nós! 🙂


GSTB-BrunoReal-100x100 Bruno Real

Faz música barulhenta, ganha a vida em aulas e projetos em comunicação digital, corre em calçadas desviando de buracos só por diversão, usa sunga na praia e gosta de cerveja mais do que você imagina. Atualmente buscando realizar dois projetos grandiosos: ser pai e acertar a receita de uma IPA. Site: www.brunoreal.com.br

 

 

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One comment on “Pavê, pacumê ou patumá?

  1. Invoquemos sempre o “espírito lupulístico”… Amém! Parabéns pelo texto, Bruno!
    Abraço!

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