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Testando os limites de uma IPA

Não é segredo que as IPAs (sigla para o estilo India Pale Ale) possuem um público cervejeiro fiel, com muita admiração pelo lúpulo. Esses hop-heads (eu inclusive), são amantes de cervejas aromáticas, amargas e alcóolicas. As características desse estilo distinto e o papel protagonista do lúpulo foram temas de um post bem legal aqui do blog. Para quem ainda não leu e quer se familiarizar um pouco mais com o estilo, dá uma conferida lá e os motivos de tanta admiração ficarão mais claros.

É interessante como diferentes variedades de uma só planta podem conferir tantos elementos às cervejas. Alguns produtores inclusive brincam com isso lançando séries de single hops, ou cervejas de um só lúpulo. Utilizando uma mesma “base”, diferentes lúpulos são usados na confecção de um kit com algumas garrafas. Uma ideia seria toma-las em sequência para entender o que cada IPA oferece, de acordo com a variedade de lúpulo nela contida. Aqui no Brasil, as cervejarias Way e Dama já lançaram kits desse tipo.

A cerveja escolhida por mim para esse post vai no sentido oposto das single hops. É a 10 Lúpulos, da cervejaria paulista Júpiter e que, como o nome já diz, é composta por nada menos do que 10 variedades da planta. Para aguentar o tranco, os cervejeiros montaram uma Imperial IPA, com elevado teor alcoólico (8,5%). A brincadeira aqui é tentar identificar os diversos elementos de todos os lúpulos em uma só cerveja.

A curiosidade (e, confesso, uma saudável provocação do pessoal da God Save the Beer), me levou a pesquisar na web sobre todos os lúpulos utilizados pela Júpiter nessa cerveja. Quais seriam os aromas e sabores que cada variedade emprestaria a ela? Bom, são oito lúpulos americanos, um australiano e um neozelandês, cujas características principais eu resumo a seguir:

  • Simcoe (EUA): amadeirado e com amargor acentuado. Notas de pinho. Função: amargor e aroma.
  • Ahtanum (EUA): cítrico e floral. Notas de pinho. Função: aroma.
  • Topaz (AUS): muito cítrico e frutado. Notas de damasco e frutas tropicais. Função: amargor e aroma.
  • Amarillo (EUA): cítrico, frutado e floral. Notas de laranja e maracujá. Função: aroma.
  • Cascade (EUA): com equilíbrio entre aromas cítrico, frutado, floral. É levemente picante e possui baixo amargor. Variedade muito conhecida entre cervejeiros artesanais. Função: aroma.
  • Centennial (EUA): similar ao Cascade, porém menos floral e mais cítrico. Também possui amargor mais intenso. Função: amargor e aroma.
  • Columbus (EUA): terroso e picante. Função: amargor.
  • Equinox (EUA): elevado aroma cítrico e herbal. Notas de lima-limão, maçã e pimenta verde. Função: aroma.
  • Motueka (NZL): frutado e cítrico. Notas de lima-limão e frutas tropicais. Função: aroma.
  • Citra (EUA): o próprio nome indica a predominância de aromas cítricos. Notas de toranja, lima, melão, lichia e manga. Função: amargor e aroma.

O que chama atenção é que essas 10 variedades abrangem uma vasta gama de aromas, talvez com maior foco ao cítrico. Com relação à função, há leve predominância de aroma sobre amargor, com quatro variedades específicas para este fim. O legal é que fiz essa pequena pesquisa antes de tomar a cerveja. Então, agora que estou com o copo cheio, espero saborear uma cerveja aromática e cítrica.

(pausa para o gole) 10 Lúpulos garrafa + copo

No copo uma cor âmbar com alguma turbidez e excelente carbonatação. Aromática? Muito, demais, um espetáculo de aromas. Cítrica? Definitivamente, essa característica é predominante e bem fácil de identificar. Agora, caracterizar a 10 Lúpulos somente como uma cerveja aromática e cítrica seria uma baita injustiça. Ela é de tamanha riqueza e complexidade que a cada gole é possível identificar novos elementos, incluindo frutas menos cítricas (manga!) e sabores amadeirados.

Porém, a predominância do aroma sobre o amargor desaparece quase que repentinamente na boca. Toda potência dos 80 IBUs fica bastante evidente e eles só se ausentam no gole seguinte. Quando acabei a cerveja, seu amargor persistiu por um bom tempo. A união dos elementos cítricos com o amargor disfarçou bem sua alta graduação alcóolica.

Minhas impressões foram de uma cerveja excelente que tem tudo para agradar os hop-heads. Ainda assim, tenho convicção que os 310 ml da garrafa são insuficientes para desfrutar de tudo o que a cerveja oferece.

Aproveito para desejar um excelente ano a todos! Abraços e até a próxima.

Trilha sonora: Sólstafir – “Ótta”.

 


GSTB-DanielDetzel100x100 Daniel Detzel

Engenheiro civil de formação, recém doutor em engenharia de recursos hídricos. Metaleiro desde sempre, possui gosto por cerveja lupulada e forte, assim como a música, embora não recuse as menos extremas (assim como a música…). Aprendeu há algum tempo a tomar menos, porém melhor e, embora tenha participado de algumas brassagens, ainda prefere somente a degustação. Planos futuros envolvem aprender alemão e visitar algum país nórdico, não necessariamente nessa mesma ordem. No facebook .

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4 comments on “Testando os limites de uma IPA

  1. Sim! Aliás, esqueci de mencionar no texto que ela fica nas geladeiras por ser não pasteurizada. Então ela estará sempre pronta para beber!

  2. Deve ser muito legal realizar uma degustação cruzada entre ela na torneira e na garrafa, mesmo que não seja pasteurizada. Aguardando pra experimentar logo!

  3. Tem razão Bruno, daria pra confirmar se o frescor é mantido na garrafa. Isso considerando todo o caminho percorrido da cervejaria até as prateleiras, mesmo que tenha sido feito sob refrigeração constante.

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